Aquele lugar
















Há tempos, aquele lugar parecia absurdamente inabitável, creio, desde que coloquei pela primeira vez os pés naquelas ruas. Era para ser por pouco tempo, até as coisas se resolverem. De qualquer forma, descer no mais fundo do poço é bom para engrandecer a alma, valorizar o bom e o bem, quando, ocasionalmente, os encontramos.

Mas, nos últimos tempos, toda aquela atmosfera contaminada e poluída constituía-se em uma vida simplesmente insuportável. Talvez estivesse permanecendo por tempo demais. Comecei a me sentir como o lugar: sujo, irrecuperável.

Tudo naquele bairro parecia velho demais, em decomposição, uma espécie de começo de inferno, uma zona de convergência entre a razão e a loucura. Por um instante, tive dúvida a qual dos dois eu pertencia. Nas ruas havia restos, sempre restos: restos de homens, restos de dignidade, de orgulho, de amor, de humanidade. Sobrava maldade, medo, rancor, tristeza, sujeira, lixo e dor.

A rua cheirava a tristeza, súplicas eternas por uma gota de vida. Era impossível não se contaminar. Eu chorava e minhas lágrimas caiam já gastas, secas.

Tentava fechar os olhos, rezava para não ser visto pelas criaturas - mortos vivos - que rastejavam famintas a espera de uma vítima, que lhes daria um pouco de vida.

Mas eles viam-me e olhavam-me com desconfiança e desejo: meu olhar ainda demonstrava muita vida, muito brilho, eu destoava de tudo, talvez reluzisse.

Então eu prendia o olhar no chão, ignorando a realidade. Alguma vez, em algum lugar, alguém havia me dito que eu nunca, jamais, deveria olhar nos olhos da maldade, ou então, perderia a sanidade. Fechava os olhos para não ver tudo a minha frente: fezes envelhecidas, vômitos adormecidos, marcas de urina escorrendo pelo chão, nas esquinas, em meio a pessoas, que dormiam.

Fechava os olhos e imaginava as tardes no bosque gramado, os banhos na água limpa do rio, as risadas e gargalhadas das crianças. Lembrava de quando passava as tardes olhando o céu azul, tão azul, e das noites em lua cheia, em que a única luz era a das estrelas...e isso era perfeito e completo.

...

O odor de álcool e cigarro, de sexo e de falta de vida que desprendia do lugar tirava-me o poder de abstração e levava-me à realidade. E a realidade era um sonho de terror: casas e casarões velhos, memórias de tempos austeros, em decomposição, habitadas por mortos vivos. De dentro ecoavam sussurros de dor e lamentações.

As paredes desbotadas descascando, como feridas purulentas, sempre úmidas, abrigavam toda espécie de insetos rastejantes e venenosos. Tudo era úmido e pegajoso. Tudo tinha a cor amarelada de doença crônica, o verde musgo do lodo e roxo azulado do apodrecimento. Naquele tempo as náuseas e as enxaquecas acompanhavam-me sempre.

Sabe-se lá que memórias cada uma daquelas casas guardou em si, boas ou más lembranças...não importava, ali nada era bom...tudo se transformava nos mais sórdido dos sentimentos, em dor, em morte.

Tudo estava em decomposição, assim como os sonhos de cada um que passava pelas ruas...Restos de mucos, restos de roupas, calcinhas rasgadas, resto de alimentos azedos, animais em decomposição, pessoas em decomposição, travestis, bêbados, putas, catadores, mendigos, homens, mulheres, crianças, velhos, carros, sonhos e desejos - tudo, absolutamente tudo, estava se degenerando e cheirava a morte. Nada estava no tempo, tudo se perdera.

As crianças... Sim, elas também estavam lá, e também estavam em decomposição. Olhavam-me a espera de redenção, implorando por piedade e salvação. E eu não as ajudei, não pude, não tive forças para tirá-las de lá.

Não sei bem como sai de lá. De repente, só o que me lembro, de repente não estava mais lá. Hoje vejo, eu começava a enlouquecer, a fazer parte, começava a ter o olhar amarelado, opaco e sem vida de súplica, assim como todos os outros.

Creio que foi um anjo piedoso que me tirou de lá com suas asas brancas naquela tarde que olhei de frente a maldade que vinha em minha direção. Mas não me lembro...
Como cansa colher eternamente a beleza de cada dia, juntar fragmentos de felicidade em milésimos de segundos desconectados, sempre tão transitórios...
Fale-me sobre as suas desgraças para que eu possa esquecer as minhas.

Tarde de Primavera

Foto: Ana Cláudia Vieira





















São boas as tardes nubladas de Primavera.
O vento está gelado.
É domingo.
Há silêncio, mesmo em meio aos eventuais sons que ecoam de longe.
Aqui é só silêncio.
Quietude, paz, nada...
Em tardes como estas, penso que não há uma Lei, uma regra.
Se existe, ela pode ser transgredida.
Posso até pensar que após essa melancolia algo novo acontecerá.
Alguma surpresa, nada previsível.
Espero.
Não, não espero.
São apenas possibilidades.

Pra sentir (e só)

...fosse coisa de pegar, não teria braços no mundo capazes de segurar, tamanha era a felicidade. Todo seu corpo tremia. O coração disparava... Não era possível ter um pensamento coerente. Tudo se misturava em sua cabeça. Algo parecia emanar dos poros de sua pele. O chão não estava firme. Ela andava vacilando, o chão era nuvem, nuvem de algodão, igual aos sonhos. 

As pessoas na rua estavam todas sorrindo [para ela]. E aquelas cores... Tudo brilhava, mais vivo, mais intenso. O vento, que trazia também um perfume [não estranho], brincava com as folhas... e elas brincavam também, rodopiavam...estavam vivas...igual ao que sentia...

Certa vez ela disse, com convicção, que havia encontrado as raízes da felicidade. Mas, então, lhe questionaram, se tal felicidade não seria uma ilusão, “pois de certo, algo que possui raízes é preso ao chão, e nunca terá a liberdade do céu”. Mas não era esse o caso. Não havia uma raiz...A felicidade  simplesmente borbulhava em tudo

O prazer de não sentir




















Eu não sinto nada e este nada é tão leve

Nada de pressa, palpitações ou indecisão

É bom não se expor, apenas seguir em frente: livre

Até a tristeza que sentia, tornou-se uma tristeza fria

Uma ferida que não dói

Um peso que não carrego

Sigo, só, em frente, enfim

Acabo de me atinar para o quanto tenho me distanciado de minhas raízes, sabe, aquilo que está na base, na essência e, no meu caso, é o grosseiro, o simples, o necessário, apenas. Pronto, voltei!

Hipertexto-Hipervida


O grande dia chegou. O grande dia é hoje. O ponto final era na verdade o início de reticências, seguidas por uma pequena pausa de renovação. E pra recomeçar, é necessário que eu fale sobre mim. E falar sobre mim significa escrever. E, dessa forma, não tenho mais domínio.

O texto se constrói, quase que por vontade própria. Ele é transformação. Reinvenção. Vida que se cria, se inicia, mas não se controla. Li algo sobre mudanças. Alguma ironia sobre o tempo que levam as mudanças para acontecerem. Tempo de mais para mãos agitadas e corações aflitos por melhores tempos. Era algo que dizia sobre a injustiça de sermos tão impotentes frente às vontades do mundo. Acredito que as mudanças acontecem a todo tempo, a cada instante, mas se você se prende à mudança em si, e não nos movimentos delirantes de todas elas, o fardo pode “ser” demais. As mudanças parecem nunca acontecer.

Sei que eu tinha muita certeza. E quantos momentos pareceram eternos. E no fim, foram só uma poeira. Um fragmento de lembrança. Uma caixinha esquecida no fundo do armário e depois doada aos carentes, juntos com outros objetos já sem valor.

Por isso, definitivamente, não tenho medo que nada aconteça. Mais uma vez, insisto: estou plantando as mudanças que quero. E elas acontecem sempre. E no fim, eu sou só mais uma poeirinha. Mas por séculos incontáveis, o mundo parece girar para que cada poeirinha tenha sua importância. Para que tudo continue dando certo o tempo todo. E não estou exagerando. Basta querer ver: aí está a vida.

Tenho minhas limitações. Mas vou. Um passo de cada vez. Sempre para frente. Às vezes penso que não há
um objetivo específico. Há, sim: fazer o bem. E durante o percurso permanecer ao lado do bem. Sempre fazer o bem. E durante o percurso mudar para melhor, o que for preciso.

Às vezes penso que sei exatamente o que vou escrever, mas de repente as idéias se entrelaçam. Misturam-se. Desfazem-se em danças eternas e perfeitas, como se fossem planejadas. E no fim, o texto foi escrito sem que eu precisasse planejar os mínimos detalhes. Cada partícula se juntou e o texto, simplesmente, acontece, naturalmente, como há de ser, sempre. E no fim de cada texto... não há fim, mas inúmeros outros textos se entrelaçando. Textos que se constroem. Confrontam-se. Reinventam-se. Assim, como há de ser. E que assim seja.

Mudança de paradigma

FFFFound
Para quem há pouco disse que alegria não inspirava
Percebi, nos últimos tempos sinto-me sufocada, mas não por falta de ar...
Estou engasgada com toda a vida que venho respirando...A alegria entrou em meu peito...prendi o mais que pude, engasguei...Ela entupiu minhas veias e a qualquer momento meu coração irá explodir...
Fiquei paralisada com uma alegria louca a se debater em meu peito.
Inquietante.
A um raciocínio de distância. Vejo toda vida, que desastrosamente se esgueira em mim e por mim, refletida limpidamente em pontos azul-esverdeados. Sabe, o Sol está a iluminar, amarelo, forte e certo, tranquilo...uma estrela que orienta...
A um toque, detenho-me, o tocar
A um toque, contenho-me a olhar
Alegria puxa felicidade...Sinto-me fraca...o desejo fala por si e por mim...
Sensata, tento ser...fria...
Engasgada de vida estou e vida é energia, vida pulsa, vida vive e tem vontade própria...
Quero gritar, quero vomitar essa felicidade majestosa
Esse desejo terrível de viver
As palavras? Que nunca são suficientes... Procuro agora a resposta no silêncio...Será possível captar felicidade semelhante no silêncio absoluto? É quando vemos a vida, simples e tão óbvia...
Quero viver e “a hora é o agora”, sempre

Tic-Tac-Tic-Tac...

Tic-Tac-Tic-Tac...tanta coisa pra fazer
E o tempo a passar...
Vi hoje o fantasma de papai, aos 22, congelado no natal de 87
Tic-Tac-Tic-Tac...
Um dia a mais, ou um dia menos...
Paradoxo do nascer...nunca se sabe se pra viver ou pra morrer
Tic-Tac-Tic-Tac...
A contagem é regressiva...
O relógio não para...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Tanta vida eu quero
Tic-Tac-Tic-Tac...
Andar, viajar...e agora...o tempo tá correndo...
Tic-Tac-Tic-Tac...
E eu tô parada, pensando no que fazer...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Mobilizada pelo querer...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Não quero perder tempo
O que fazer?
Tic-Tac-Tic-Tac...
E agora: ler, escrever ou fazer?
Tic-Tac-Tic-Tac...
Tic-Tac-Tic-Tac...


O Problema Dos Professores É Seu Também

Por Ana Cláudia Vieira
 Hoje participei da manifestação de apoio aos professores estaduais de Minas Gerais, que há cerca de 80 dias estão em greve, numa luta por melhores condições de trabalho, salários justos e reconhecimento.

Desde o início da greve, as manifestações dos professores no centro da cidade alteram o trânsito, deixando-o ainda mais caótico. Este fato foi o suficiente para que muitas pessoas se posicionassem contrárias ao movimento, algo como: “poxa, acho justo eles terem melhores salários, mas prejudicar a sociedade já é demais. Afinal nós não temos que pagar o pato”. Eu não tenho nem palavras para expressar o quanto fico incomodada e angustiada com tais reações observadas em diferentes locais de convívio. Será possível que os cidadãos não conseguem enxergar que este não é apenas um problema dos professores, mas, sim, o problema da sociedade? E que a sociedade é prejudicada muito mais, e todos os dias, pela corrupção e descaso com as necessidades do povo?

Para começar, a educação é a base de nossa sociedade, ou pelo menos deveria ser. Na escola formamos nossa consciência crítica e adquirimos conhecimento, exploramos nossa inteligência para um dia seguirmos alguma profissão. É um direito de todos. O profissional que carrega a responsabilidade de formar todos os outros profissionais úteis a sociedade deveria ter lugar de honra e ser devidamente remunerado pela tarefa de importância que cumpre arduamente, apesar das penosas condições. Mas, hoje, vemos professores trabalharem três turnos para terem um salário razoável, serem maltratados na escola, por pais e alunos. Vemos o governo investir tão pouco na formação de nossos Mestres. A lógica é: se os professores não possuem formação adequada, salários dignos e se a educação não é prioridade, serão seus filhos, netos, irmãos e primos que terão uma educação de má-qualidade. Que depois, terão de pagar cursinhos caríssimos para recompensar a falta de conteúdo, e sustentarem o sonho de frequentar uma universidade pública.

Por isso, o problema é seu, sim. E essa de que “os professores sabem como é a remuneração, logo não deveriam ter entrado para a profissão” não cola mais. Se o resto da sociedade se contenta em ser roubada e a ter salários de “merda”, não podem culpar aqueles que lutam por melhorias.

Vou além da educação e do direito básico de ser um ser consciente. Vou ser repetitiva, mas acho que ninguém se importa, afinal, não nos cansamos de assistir, repetidas vezes, a escândalos de corruptos na tevê.

O problema dos professores é o mesmo dos doentes que esperam na fila para atendimento médico, às vezes durante meses;
É mesmo dos pacientes que aguardam a autorização para receberem a medicação que precisam;
É o mesmo de todos aqueles que já perderam pessoas queridas por falta de atendimento;
É mesmo de todos aqueles que vivem trancafiadas em casa, vítimas da violência;
É mesmo do crack e de todas as outras drogas;
É mesmo do trânsito caótico e das tarifas de ônibus exorbitantes;
É o mesmo da PM, PC e Corpo de Bombeiros que, vira e mexe, também estão às portas da prefeitura manisfestando insatisfação;
É mesmo dos estudantes que lutam há décadas pelo meio passe;
É mesmo que impede cerca de 14 milhões de pessoas de serem alfabetizadas e faz com que outras 16 milhões estejam na miséria extrema.
É o mesmo dos jornalistas, que há pouco foram nacionalmente envergonhados ao serem tratados como capachos, perdendo direitos que qualquer trabalhador deve ter.
É o mesmo problema que faz o Brasil estar entre os primeiros em corrupção e entre os que mais exploram seu povo.

Só pra pensar, o BH tem 41 vereadores e o Brasil todo, cerca de 8.000. E estou falando dos vereadores, pois na escala da politicagem, são os que menos devem ter benefícios. Mas ainda há os senhores deputados, estaduais e federais, prefeitos, governadores, ministros, secretários etc. Alguém reclama de pagar os altos salários desse grupo menosprezável? Alguém vai pra rua gritar que isso ta errado? Lógico que não, néh...Vai atrapalhar o trânsito...

O problema é mesmo que nos deixa tão indignados e ao mesmo tempo tão passivos. Quem nunca sentiu aquela revolta e, paralelamente, grande impotência, por não saber a quem recorrer, o que fazer. Pois bem, é isso que se faz: luta-se, coloca-se a bota no trombone.

E vêm reclamar que “a manifestação está atrapalhando o trânsito”. Ora essa, tenham dó! Tenham vergonha. Este movimento é de interesse dos pais, dos alunos e de todos os setores dessa sociedade egoísta. É um problema social.

Por isso, eu convido a todos meus amigos a se sentirem livres para tirar a bunda cadeira e irem às ruas, lutar por uma educação de qualidade.  Devemos nos habituar a ter direitos. Até agora só vejo obrigações.

Quantas vezes ouvi meus colegas e amigos, nostálgicos, dizerem que nas décadas de 70 e 80 as pessoas eram mais engajadas, mais críticas...iam ás ruas lutar... Mas, pra mim, as pessoas são as mesmas. Basta tirar a “bunda” quadrada da cadeira. Mas nos venderam essa idéia, de que o melhor já se foi, de que não adianta lutar, não adianta fazer nada, além de votar (doar seu direito de escolha ou dar deu direito à terceiros), trabalhar igual um burro de carga e esperar passivamente que as coisas mudem.

Acorda meu povo. Cada um pode fazer sua parte e hora é sempre “o agora”. Não devemos deixar que esse governo mal intencionado nos coloque uns contra os outros.

Os professores continuam em greve e outras manifestações virão. E eu estarei lá, pois acredito em um mundo melhor e não vou me dar ao luxo de esperar que este mundo simplesmente exista pela vontade de Deus ou pela boa vontade dos políticos. Vou Gritar o meu desejo.

Quem quiser vir comigo, seja bem vindo.

"O PROFESSOR É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE MEXEU COMIGO"

*texto escrito com paixão. Sem edição.

Acúmulo de Funções

Arte de Leopoldo Maia
Um coração deveria, teoricamente, apenas bombear sangue. Levar de uma extremidade do corpo a outra, em um sistema circulatório que confere, naturalmente certa oposição, o sangue venoso e arterial.

Mas, o meu não. Ele prepotentemente quer assumir funções mentais que não lhe cabe e, sente todas as dores, externas até a mim.

Sente quando você passa, mesmo que eu não te veja, quando você não me vê, ou finge que não, quando fala palavras despretensiosas, quando fica feliz e quando fica triste…Sente quando você dá seu fatal “Oi”, se me liga, se não me liga, se me pede para sermos amigos, apenas...E, principalmente, quando diz que, estar perto de mim é uma tentação dolorida, que ainda me ama, apesar de estar divindo com outro o que antes era nosso, mas que, infelizmente, nossos caminhos seguiram por sentidos opostos.

Tenho mais tempo pra tristeza não,
quero é ser feliz de coração
e quando ficar velhinha, ter lembranças de alegria,
não mais lembrar de dores, rancores ou melancolia
De tanto procurar em outras palavras, em outras vidas, em outros olhos, de tanto procurar me encontrar, me reconhecer, não sobrou nada, além de sombras, lembranças, passado, dúvidas

"Antes do Amanhecer" e "Antes do pôr do sol", tudo pode acontecer!

Comecei a ver "Antes do Amanhecer" (Before Sunrise, 1995) de Richard Linklater. Ao contrário do que deveria ser, vi primeiramente "Antes do por do sol" (Before sunset, 2004), continuação do primeiro. No fim, acho que tanto faz, com exceção da estratégia de marketing para aqueles que viram na ordem certa, que ficaram ansiosos para ver o desenrolar da história de amor que poderia ter ocorrido com qualquer um.

Ainda não terminei de ver “Antes do amanhecer”, mas a trama dos dois filmes, em síntese, narra a história de amor do jovem americano Jesse (Ethal Hawke) e da estudante francesa Celine (Julie Delpy), que se conhecem em um trem. Os dois encontram tantas afinidades que um amor ingênuo e espontâneo surge. Jesse tem passagem comprada para os EUA e, então, os dois, ao fim, combinam de se encontrar seis meses depois. Pelo que entendi, o possível encontro e o desfecho da história de amor não são apresentados no primeiro filme. O fato é que no segundo filme eles se reencontram, acho que dez anos depois.... e a história de amor continua... Não vou cortar o barato, caso alguém que ainda não tenha visto os filmes esteja lendo este post. Não é sobre isso que quero escrever.

O interessante é como conseguimos nos prender ao desenrolar da história, sem grandes explosões, suspense ou qualquer artifício do tipo. Chega a ser um momento de reflexão. Também achei incrível como me identifiquei, não só com a história de amor, mas com as falas, tanto de Jesse, quanto de Celine...E olha que eles estavam em 1995.

Penso muito sobre essas repetições (a propósito, eles falam sobre isso no filme). Tenho a impressão de que nós somos um continuo e desfalcado reflexo do que nossos antepassados já foram. Medos, anseios, valores e amores...parece tudo tão igual.

Outro ponto que me chamou a atenção é como os dois se apaixonam um pelo outro, após terem acabado de sair ambos de relacionamentos que pareciam ou deveriam ser para sempre. Isso me assusta. queremos uma certeza, um amor pra vida toda. e nos esforçaos para isso. nos doamos, queremos fazer cada momento único e inesquecível...

Mas parece que proporcionalmente maior ao esforço existe uma força contrária que faz tudo dar errado, ou diferente dos nossos planos, pois quem somos nós para afirmamos que uma coisa deveria ter acontecido assim e não de outro jeito... Independente disto, quando tudo acaba fica só vazio, até que se tenha novamente esperança, ou que a falta de perspectiva faça com que sejamos pegos de surpresa e nos apaixonemos (é o que ocorre no filme). Sei lá...isso tudo é muito confuso, muito evasivo e efêmero..."a verdade é que somos todos poeira cósmica", risos...!

Manifesto da mulher moderna

Não me comparo a Evas, Marias, Joanas, Ana’s, Anitas, Helenas, Madalenas, Catarinas, Elisabeths, Isabeis, Carlotas, Joaquinas, Dandaras, Chicas, Chiquinhas, Teresas ou Nefertitis.

Joguei ao vento o conceito.

Deixei de [SER] sedutora, produtora, impostora, sofredora ou sonhadora, companheira, amiga, justiceira, heroína, faceira ou nordestina.

Recuso-me a [SER] moderna, bem sucedida, decidida, resolvida, inteligente, envolvente, coerente, consciente, imponente e decente.

Descarto a boa educação, a obrigação, a ligação e a atenção.

Desconstruí o símbolo e o mito; tirei de minhas costas o peso de ser exemplo e referência.

Desprezo o cortejo, o bom amor, os mimos.

Dispenso [SER] vista, desejada, cobiçada, valorizada ou lembrada... delicada, graciosa, jeitosa, caprichosa, caridosa, gentil e sutil...

Recuso-me a ser [SER] sensível, conectada, plugada, antenada, descolada e empolgada.

Abdico-me ao salão, às unhas vermelhas, ao cabelo liso ou natural ou comprido ou curto; à maquiagem, ao salto alto, à rasteirinha e ao all star azul.

Rejeito os sentimentos, as boas intenções, a justiça, a cobiça, o amor, o sabor, a dor, a tristeza, a beleza, a certeza, a saudade, o medo, a idade, o desejo e a identidade!

O amor

O amor é uma dor

O amor é um clichê

O amor é um sei lá o que

Que te engana

Te dá esperança

E depois te faz sofrer

Para sempre

02 de janeiro de 2010



Já há algum tempo seu olhar paralisado me chama a atenção. Eu nunca percebi o porquê. A sensação era de ter esquecido algo muito importante. Só agora entendi. Você se foi, eu não me despedi e nem falei tudo que tinha vontade. Na verdade, não falei nada.

Desde então, um monte de palavras estão engasgadas em meu peito e sussurram em meu ouvido o direito de liberdade.

Dizer que morro de saudade e que minha vida não é mais a mesma seria uma bela mentira. O que ocorre, de vez em quando, é uma vaga lembrança de sua presença. Você está longe, não é mesmo? E sempre esteve. Por isso, as coisas não mudaram muito desde sua partida.
Eu falhei. Não segui o roteiro. Quando todos lhe prestavam homenagens, eu não me senti a vontade: fugi. Por incrível que pareça, eu não me arrependo. Tudo foi sincero, verdadeiro.

Fico pensando para onde todos vão ao final de tudo. A morte em si não deve ser o fim. Mas a falta de consciência de uma existência sim. Mas você está vivo, e bem vivo, bem aqui em meus pensamentos. Também tantos outros estiveram vivos em seu pensamento. Agora eles já não são nada. Nem mesmo ausência. Não há espaço a ser preenchido. Todas as histórias, aventuras, problemas, medos, amores...tudo se foi. Eles já não são.

Em mim, as histórias de assombração, o chapéu gasto de vaqueiro, o forte cheiro de fumo, o andar vacilante e as velhas mãos calejadas sempre trêmulas.
Você sempre foi uma figura enigmática. Não conversávamos muito. Só o necessário, como é para todos. Então, como eu ia dizendo, percebes? Você está vivo. Mas, minha memória é falha, traiçoeira. Um dia, inevitavelmente, também cessará. Para assegurar, escrevo TE aqui. Uma homenagem, tardia, é certo, mas quem sabe ainda válida. Certifico-me que existirás além de mim, para todos que virem estas palavras, agora livres.

Sua imagem continua na parede, com seu olhar triste - até parece que carrega a tristeza de todos os outros - sempre intacto. Ela está ficando amarelada, mas, continua lá.

Pra você, e, só você

Leve-me daqui
Para longe das escolhas
Para onde não existam análises
Um lugar em que não exista limite
Em que não exista medo,
Rancor, ou dor de viver
Leve-me-nos para a onde a liberdade não tenha raízes
Leve-me daqui, para onde sejam livres nossas ações
E leves nossos desejos
Leve eu, leve você
Leve.

Hitler era coletivo

Definitivamente não gosto de ações coletivas. Gosto de agir sozinha consciente das consequências. Ter espaço físico, silêncio para refletir, me identificar e pensar. Saber que minhas ações, apesar de partirem de algo maior, são modificadas por meu entendimento, e que são minhas por opção e não movidas pela força de um coletivo. Nesses grupos, se pronunciar de forma contrária é um suicídio social.

Fico observando os grupos-urbanos-isolados/marginalizados-de-discussão de-atitudes-coletivas-pós-moderna. São todos tão radicais, incoerentes, contraditórios, autoritários. Verdadeiros Hitler’s sem poder - ainda bem, imagine pessoas assim com poder. Tentam criar verdades, compartilhar ideologias de vidas vazias e, o pior, querem que o mundo as aceite. Quando não, se fecham em si mesmos, alheios ao que ocorre ao redor. Não são suficientes em si mesmos. Elaboram discursos, repetem, repetem até que se constituam em verdades, como dogmas, uma religião com sua fé inquestionável.

Não há individualidade. A essência e o ideal de libertação se perdem entre regras. Ingênuos, acreditam que as “regras” não são nocivas, se algemam com suas próprias ideias. Nessas ações coletivas, não há indivíduo. Todos se negam, se anulam, passam a obedecer a uma lei imaginária que paira pelo ar. Não há responsabilidade, na medida em que não existe um indivíduo, mas um único corpo. Ela é de todos e de ninguém.

Cada um de nós deve ter consciência de que pode ajudar a melhorar as coisas, ou a piorar, depende da sua escolha pessoal, uma escolha que só cabe a nós, individualmente. Não se trata de apologia ao “mundo individualista, narcisista”. Aceito ações coletivizadas, desde que haja questionamento, possibilidade e flexibilidade. Esperar o coletivo agir, ou agir só em coletividade é uma forma bastante cômoda de não fazer nada. 

Ana

Meu nome é Ana. Digamos que só. Quero que seja assim, porque me considero uma pessoa transparente, sem mistérios. E Ana, talvez por ser um palíndromo, me passa esta impressão. É isso, e pronto.

Tenho 20 anos. Gosto dessa idade. Aliás, gosto de tudo que me parece exato, completo, certo. Gosto do ponto final, da reta, do quadrado e dos números pares em geral. Impar, só se for “um”.

Hoje são 15 de março de 2010. Estou aqui para falar, na primeira pessoa. Nada de “Ele sentiu”, “Ela percebeu”. Não! Estou falando de mim, do que sinto, do que sei!

Bem, quero falar de uma data que merece ser registrada: hoje, o dia em que eu, oficialmente, me transformei e descobri ter medo das pessoas. Não sei se tem um nome para isso. Acho que é sociopatia, ou algo do tipo. Não sei, talvez humanofobia – se é que existe.

Foi assim, ou algo parecido:

 “ -...e qual é o seu nome? - Cristina. – Ana, prazer. [...] Então, Ana, eu moro lá também...Se você quiser bater papo um dia. É só me procurar...”,

Simples assim e me pareceu tremendamente perigoso.

A situação era clara para mim:

“Sinto muito querida, mas experiências de toda uma vida fazem-me crer que, pra não me f*, o melhor é nem me envolver.”

A vida em “sociedade”, antropologicamente tão interessante, com toda sua simbologia, na prática seus rituais de interação/integração tornam-se absurdamente cansativos e desgastantes. Já sei de cor. Você vai me contar seus problemas, falar de seu namoradinho idiota e machista, reclamar que seu serviço é terrível, que a vida em família também não é lá essas coisas, explicar como conseguiu todos essas cicatrizes no rosto – de fato, em relação a isso estou curiosa –, me chamar pra tomar uma – ou todas –, falar que gosta de funk – ou, seja lá o que for, não faz diferença – e querer que eu te dê atenção. Vai querer falar das pessoas e de tudo que te incomoda, dentre tantas outras coisas, que no fim, simplesmente não farão diferença. E no fim, vai arrumar uma forma de me sacanear, se fazer de vítima.

Definitivamente, não. Obrigada! Mas agradeço pelo interesse. Agora eu só quero “não saber” do que eu já sei.

E a história termina aqui. Eu sei. Não é um bom fim. Mas quem disse que fins precisam ser bons?

O homem

refluxo da expectativa
"manipulação de regras"
inconstante dicotomia
hipocrisia compartilhada
falso moralismo
negação do espelho
culto ao inalcansável
auto-flagelação
sindrome da superioridade
medo de ser
sentimento de culpa
distúrbio de adaptação

Se foi

entrou conscientemente na boca da fera
foi parar na barriga do mundo 
espiava pela frestas das escamas a noite com estrelas artificiais
entrou conscientemente a procura de vida, de novos caminhos, de andar sozinha
quem diria!
Se foi.
mas volta, mais esperta, com a beleza da sabedoria
Se foi. 
mas volta senhora de si, senhora da barriga do mundo 
com o destino já traçado, com o destino construído em livre arbítrio
Até!


"E você já fez alguma música sobre ele?
Adele –
 Ainda não. As coisas estão indo muito bem."

Também tenho esta impressão, o que dá errado inspira mais.



Quero

Quero pintar de branco as paredes do meu quarto
da casa,
do mundo.


Quero trazer cores novas e alegres, brotar flores e trazer borboletas, beija-flores;
quero alegrar meu caminho
deixar contente as inspirações.


Quero limpar a casa e espalhar perfume de limpeza,
jogar fora as roupas velhas, as cartas e as lembranças.
Quero deixar tudo limpo, tudo leve.


Quero trazer pro chá das cinco as amigas, e rir de coisas bobas.
Quero ver o futuro de alegria.
Quero sair com meu príncipe e viver as mais lindas histórias.
Quero ouvir músicas que lembram a felicidade, a bondade e as alegrias que senti, sinto e vou sentir.
Quero ver comédias românticas e filmes de final feliz.
Quero mandar luz para os que foram, mas estão.
Quero sair e ver o mundo, ver a praça pela manhã.
Quero cantar, quero dançar, quero sair e ver o mundo, as pessoas, o céu azul, as estrelas, o sol e a lua.
Quero acreditar na essência da bondade.
Quero trazer de volta aqueles amigos, abraçar minha família.
Quero sair e com o vestido de estampas de flores dançar.
Quero dizer "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "tudo bem?", e escutar tudo, porque, sim, eu me interesso.
Quero abraçar você 
Quero viver.

em metades

ando em metades
entre presente e passado
entre passado e futuro

ando em metades
entre razão e coração
entre risos e lágrimas

ando em metades
entre ficar e ir
entre amar e sofrer
entre esquecer e amar
ando pela culpa e pelo não ter

a culpa de quem oferece 
por saber o que é não ter
ando por, enfim, saber ser

Conversa de Menina Boba


CONTEÚDOS SUBJETIVOS EM CONCEITOS BURGUESES E CRISTÃOS

1 PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO

Eu, que tinha um amor limpo, sem jogos, e tão único e verdadeiro e imenso que não cabia em mim: ficava a reluzir por onde eu andava, e quando ventava, o vento levava de mim, dos meus cabelos, fragmentos desse amor, dessa magia; preferi a incerteza da liberdade. E todo esse amor, que brilhava também em meus olhos - e meu olhar ficava como que escondendo e prometendo tanta coisa boa, tanta alegria, que até doía o coração; esse amor se expandia ainda mais, para todos os cantos...

1.1 Sentimento de propriedade e subjetivação de conceitos burgueses no pós modernismo

Eu que tinha um amor, que era só meu, era sim, era em minha mente, e tinha uma música feita inspirada nesse amor, porque é o amor - conceito - que inspira, e não as pessoas...essa música foi tocada e tocou até se esgotar, perdeu-se naquele tempo. As notas foram se des-fra-gm-e-n-t-a-n-d-o, desarmonizando, deixando de ser....Hoje, já não andam juntas, não fazem sentido, nem melodia, não lembram nada..não existem...Hoje, quando estou assim desatenta, procurando me perder no azul do céu de verão, tenho a impressão de ouvir duas ou três notas tentando fazer harmonia, mas logo se desfazem e penso: é só impressão; 

Eu que tinha um amor que era só meu, quero ter todos...

1.1.1 Inexistência de pontos de referência no tempo

Eu que tinha um amor e não tinha medo, imagine só. Eu que amei simplesmente, sem procurar explicar, ou conceituar...e quis a eternidade para amar; eu que tive certeza; hoje só quero esquecer – e, pra ser redundante até fazer sentido, quem sabe virar verdade –, não mais lembrar; não ser. Mas tem coisas que acabam, mas não deixam de ser, continuam sempre ali, vivas para sempre. É preciso ter muita calma e tranquilidade, sangue frio mesmo, para pensar que lembranças não são o agora, e que, sendo assim, mesmo se elas estão presentes agora, não são reais. O agora, então, não é, e se não é, que venha então o futuro, com todas as surpresas, que são interessantes por serem – SURPRESAS. E a vida é boa, com suas idas e vindas.

2 O MÉTODO DA DESCONSTRUÇÃO

Então, percebo que utilizo um método, pensado em reunião entre analistas do assunto, que elaboraram também um planejamento baseado em dados, expectativas, experiências empíricas, além de vasta pesquisa de campo e, principalmente, teórica. O resultado identificado é que.... ou melhor, o método elaborado é o da desconstrução. É preciso desconstruir TUDO. Cada ideia, palavra, lembrança. É bom jogar tudo quanto for prova viva desse passado no lixo. Aquilo que for real, mas muito abstrato para se jogar fora, desconstrói-se, reconstrói-se, troca-se as peças, subverte-se, quebra-se, entorta-se. Não vês? Tem agora novo sentido, novas lembranças.

2.1 Apego a elementos dramáticos e novelísticos do mass media

Já não há palpitações, apesar de ter aqui um choro engasgado, e o que eu queria era chorar. Chorar tudo isso e, se fosse possível, ver tudo isso se diluir em lágrimas, que correriam livres por meus olhos, em pouco vermelhos, e escorreriam por minhas faces e lábios e cairiam finalmente em meu peito sem ar.

2.1.1 Interiorização do sensacionalismo presente em seriados criminais e investigativos

Imagino uma ferida com sangue podre; e a pele inchada, azul, em tom arroxeado; e essa ferida dói, uma dor tão latejante e intensa, que se espalha por todo o corpo. Mas não há por onde o sangue velho granguenado e infectado sair; então uma faca, sem corte, porque a cura não será menos dolorida, penetra fundo, passa pela ferida e chega onde a carne é vermelha, onde o sangue é vivo e corre com ar, e ela – a faca – desliza de volta, desliza fácil pelo caminho que traçou. Atrás de sua ponta, segue lentamente o sangue velho, denso, doente, escuro, e então, a ferida sangra, e sangra e, o sangue novo tem espaço, oxigena todo o lugar, que um dia foi, e um dia será: saudável.

Fico pensando, e queria que fosse mesmo assim. Mas não é. Não há ferida. Não há carne. Não há amor nenhum. E as lágrimas não caem.

2.1.2 Subjetivação e esperança como forma de aceitação da realidade

Mas eu vou indo, sim, porque hoje escutei a previsão do tempo. O dia será de sol e isso é fato! Não há espaço para subjetividades, imaginações, pontos de vista ou relatividades! Você não vê? Não importa toda a dor e tristeza do mundo, O DIA É DE SOL, e o CÉU está azul, tão azul, tão azul e sem nuvens, que a claridade incomoda meus olhos...não tenho visto muito bem, mas seguirei. Há um rumo, um sentido retomado.

3 NEGAÇÃO E MEDO DA VELHICE POR PARTE DO HOMEM MODERNO

Acabo de me lembrar que o plano era pegar a flor no momento ápice de sua beleza, para não ter que vê-la se acabando, a beleza diminuindo, ela envelhecendo... essas coisas... sabe, igual aquele filme que o assassino matava as donzelas para pegar a essência da beleza de cada uma, e aquele em que o maníaco colocava as moças mortas em um lago pra fazer um jardim aquático e bem, dessa forma, imortalizava-as...Não deu muito certo – pra ninguém - apodreceu TUDO. Parece que existe mesmo algo como um fim inevitável né...já me disseram....e o pior é que teremos que conviver com esse odor de podridão, ou de coisa boa assassinada - para sempre, PARA SEMPRE, eu acho.

3.1 Sentimento de culpa e de perda

Hoje sou uma assassina então... e o resultado é que estou de luto. Minha alma entra em completo, eterno e incondicional luto. Tento juntar as notas perdidas, o cheiro de vida, as lembranças ocultas...É estranho, de alguma forma fico feliz por não conseguir...- não existe, logo, não morre...- de qualquer forma, Eu amarei para sempre um amor terno...um único e sincero e eterno amor. Para sempre será para mim, para sempre serei, sempre.