Manifesto da mulher moderna

Não me comparo a Evas, Marias, Joanas, Ana’s, Anitas, Helenas, Madalenas, Catarinas, Elisabeths, Isabeis, Carlotas, Joaquinas, Dandaras, Chicas, Chiquinhas, Teresas ou Nefertitis.

Joguei ao vento o conceito.

Deixei de [SER] sedutora, produtora, impostora, sofredora ou sonhadora, companheira, amiga, justiceira, heroína, faceira ou nordestina.

Recuso-me a [SER] moderna, bem sucedida, decidida, resolvida, inteligente, envolvente, coerente, consciente, imponente e decente.

Descarto a boa educação, a obrigação, a ligação e a atenção.

Desconstruí o símbolo e o mito; tirei de minhas costas o peso de ser exemplo e referência.

Desprezo o cortejo, o bom amor, os mimos.

Dispenso [SER] vista, desejada, cobiçada, valorizada ou lembrada... delicada, graciosa, jeitosa, caprichosa, caridosa, gentil e sutil...

Recuso-me a ser [SER] sensível, conectada, plugada, antenada, descolada e empolgada.

Abdico-me ao salão, às unhas vermelhas, ao cabelo liso ou natural ou comprido ou curto; à maquiagem, ao salto alto, à rasteirinha e ao all star azul.

Rejeito os sentimentos, as boas intenções, a justiça, a cobiça, o amor, o sabor, a dor, a tristeza, a beleza, a certeza, a saudade, o medo, a idade, o desejo e a identidade!

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