Ana Polliana
Céu Pincelado
O Céu muito azul claro (lembranças de infância) tem delicadas pinceladas de branco esfumaçado.
Domingo, 22 de abril de 2012, Belo Horizonte
Já passou da hora do almoço. Não almocei. Procuro novidades: uma música, uma imagem, uma notícia, uma pessoa...qualquer coisa que me dê novo ânimo ou esperança.
Na sala, meu pai estuda com sua noiva, trabalhos de faculdade, coisas sobre o novo fórum de desenvolvimento social. Ouço pela janela o tintilar de louças do almoço da família vizinha...risos, vozes infantis, carros a passar, uma música a tocar...fragmentos de lembranças, uma saudade, uma flor...
Lá fora o mundo. Em mim brota uma leve vontade desesperada de sair e registrar algo.
Esse domingo, até que enfim, me parece leve e real. Sinto-me presente, depois de tanto tempo, mesmo que me esgueire silenciosamente pelos cantos a observar tudo...sorrateira.
Coração apertado.
Na sala, meu pai estuda com sua noiva, trabalhos de faculdade, coisas sobre o novo fórum de desenvolvimento social. Ouço pela janela o tintilar de louças do almoço da família vizinha...risos, vozes infantis, carros a passar, uma música a tocar...fragmentos de lembranças, uma saudade, uma flor...
Lá fora o mundo. Em mim brota uma leve vontade desesperada de sair e registrar algo.
Esse domingo, até que enfim, me parece leve e real. Sinto-me presente, depois de tanto tempo, mesmo que me esgueire silenciosamente pelos cantos a observar tudo...sorrateira.
Coração apertado.
“Eu acredito em anjos”
Quando você tem uma grande dor ou, como diz o clichê, “tem o coração partido”, tudo é válido. É quando instintivamente você desce ao “fundo do poço”, “fica na lama”... (desculpem-me as aspas, mas não é a toa que os clichês existem e continuam a ser utilizados; eles servem bem e, bom, não estou interessada agora em construções complexas).
Há um por que de queremos o pior. Procuramos, na verdade, dores mais doloridas, que nos façam esquecer a dor anterior. Vamos além de nossos limites, queremos sempre mais, pulamos de cabeça em situações que claramente não darão certo. Preferimos, de fato, situações perigosas.
É quando experimentamos todas as bebidas e drogas; quando nos relacionamos com os piores tipos de pessoas; magoamos de propósito as que nos amam; expomos nossas fraquezas e sentimentos para dar oportunidade para os maus intencionados; dormimos pouco e em qualquer lugar; somos irresponsáveis. Queremos nos perder, para termos vontade de nos achar e, então, poder criar um novo caminho, fazer aquela dor bem pequenininha, fazer dela a menor das preocupações que se pode ter. Fechamos todas as cortinas, criamos a escuridão, para cada faísca ter algum valor.
É uma espécie de busca pela liberdade. Mas não se pode escolher o que sentir e, por isso, não seremos livres. Sim, eu sei, costumamos dizer que, sim, podemos escolher o que sentir e que somos livres. Vejo, aliás, muitas pessoas dizerem isso. Eu também já disse. Mas quando se é pego desprevenido, não há escolha, não liberdade. Então, você se ferra, vive a se sabotar; e busca um novo caminho, um caminho em que toda dor seja pouca e esteja no passado.
Há um por que de queremos o pior. Procuramos, na verdade, dores mais doloridas, que nos façam esquecer a dor anterior. Vamos além de nossos limites, queremos sempre mais, pulamos de cabeça em situações que claramente não darão certo. Preferimos, de fato, situações perigosas.
É quando experimentamos todas as bebidas e drogas; quando nos relacionamos com os piores tipos de pessoas; magoamos de propósito as que nos amam; expomos nossas fraquezas e sentimentos para dar oportunidade para os maus intencionados; dormimos pouco e em qualquer lugar; somos irresponsáveis. Queremos nos perder, para termos vontade de nos achar e, então, poder criar um novo caminho, fazer aquela dor bem pequenininha, fazer dela a menor das preocupações que se pode ter. Fechamos todas as cortinas, criamos a escuridão, para cada faísca ter algum valor.
É uma espécie de busca pela liberdade. Mas não se pode escolher o que sentir e, por isso, não seremos livres. Sim, eu sei, costumamos dizer que, sim, podemos escolher o que sentir e que somos livres. Vejo, aliás, muitas pessoas dizerem isso. Eu também já disse. Mas quando se é pego desprevenido, não há escolha, não liberdade. Então, você se ferra, vive a se sabotar; e busca um novo caminho, um caminho em que toda dor seja pouca e esteja no passado.
Costumo, quando bato o dedo mindinho do pé na quina do armário, apertar muito este dedinho. No começo dói mais, mas em segundos fica tudo dormente e já não há nenhuma dor, pelo menos não a sinto...
“Eu acredito em anjos”, mas hoje fugi do paraíso e de todas suas promessas. Vou brincar de me perder e me achar.
“Eu acredito em anjos”, mas hoje fugi do paraíso e de todas suas promessas. Vou brincar de me perder e me achar.
PAZ
Se um dia, depois de muitas guerras e buscas, você enfim encontrar paz e quiser permanecer neste mesmo estado, lembre-se de não se apaixonar.
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