Acabo de me atinar para o quanto tenho me distanciado de minhas raízes, sabe, aquilo que está na base, na essência e, no meu caso, é o grosseiro, o simples, o necessário, apenas. Pronto, voltei!

Hipertexto-Hipervida


O grande dia chegou. O grande dia é hoje. O ponto final era na verdade o início de reticências, seguidas por uma pequena pausa de renovação. E pra recomeçar, é necessário que eu fale sobre mim. E falar sobre mim significa escrever. E, dessa forma, não tenho mais domínio.

O texto se constrói, quase que por vontade própria. Ele é transformação. Reinvenção. Vida que se cria, se inicia, mas não se controla. Li algo sobre mudanças. Alguma ironia sobre o tempo que levam as mudanças para acontecerem. Tempo de mais para mãos agitadas e corações aflitos por melhores tempos. Era algo que dizia sobre a injustiça de sermos tão impotentes frente às vontades do mundo. Acredito que as mudanças acontecem a todo tempo, a cada instante, mas se você se prende à mudança em si, e não nos movimentos delirantes de todas elas, o fardo pode “ser” demais. As mudanças parecem nunca acontecer.

Sei que eu tinha muita certeza. E quantos momentos pareceram eternos. E no fim, foram só uma poeira. Um fragmento de lembrança. Uma caixinha esquecida no fundo do armário e depois doada aos carentes, juntos com outros objetos já sem valor.

Por isso, definitivamente, não tenho medo que nada aconteça. Mais uma vez, insisto: estou plantando as mudanças que quero. E elas acontecem sempre. E no fim, eu sou só mais uma poeirinha. Mas por séculos incontáveis, o mundo parece girar para que cada poeirinha tenha sua importância. Para que tudo continue dando certo o tempo todo. E não estou exagerando. Basta querer ver: aí está a vida.

Tenho minhas limitações. Mas vou. Um passo de cada vez. Sempre para frente. Às vezes penso que não há
um objetivo específico. Há, sim: fazer o bem. E durante o percurso permanecer ao lado do bem. Sempre fazer o bem. E durante o percurso mudar para melhor, o que for preciso.

Às vezes penso que sei exatamente o que vou escrever, mas de repente as idéias se entrelaçam. Misturam-se. Desfazem-se em danças eternas e perfeitas, como se fossem planejadas. E no fim, o texto foi escrito sem que eu precisasse planejar os mínimos detalhes. Cada partícula se juntou e o texto, simplesmente, acontece, naturalmente, como há de ser, sempre. E no fim de cada texto... não há fim, mas inúmeros outros textos se entrelaçando. Textos que se constroem. Confrontam-se. Reinventam-se. Assim, como há de ser. E que assim seja.

Mudança de paradigma

FFFFound
Para quem há pouco disse que alegria não inspirava
Percebi, nos últimos tempos sinto-me sufocada, mas não por falta de ar...
Estou engasgada com toda a vida que venho respirando...A alegria entrou em meu peito...prendi o mais que pude, engasguei...Ela entupiu minhas veias e a qualquer momento meu coração irá explodir...
Fiquei paralisada com uma alegria louca a se debater em meu peito.
Inquietante.
A um raciocínio de distância. Vejo toda vida, que desastrosamente se esgueira em mim e por mim, refletida limpidamente em pontos azul-esverdeados. Sabe, o Sol está a iluminar, amarelo, forte e certo, tranquilo...uma estrela que orienta...
A um toque, detenho-me, o tocar
A um toque, contenho-me a olhar
Alegria puxa felicidade...Sinto-me fraca...o desejo fala por si e por mim...
Sensata, tento ser...fria...
Engasgada de vida estou e vida é energia, vida pulsa, vida vive e tem vontade própria...
Quero gritar, quero vomitar essa felicidade majestosa
Esse desejo terrível de viver
As palavras? Que nunca são suficientes... Procuro agora a resposta no silêncio...Será possível captar felicidade semelhante no silêncio absoluto? É quando vemos a vida, simples e tão óbvia...
Quero viver e “a hora é o agora”, sempre

Tic-Tac-Tic-Tac...

Tic-Tac-Tic-Tac...tanta coisa pra fazer
E o tempo a passar...
Vi hoje o fantasma de papai, aos 22, congelado no natal de 87
Tic-Tac-Tic-Tac...
Um dia a mais, ou um dia menos...
Paradoxo do nascer...nunca se sabe se pra viver ou pra morrer
Tic-Tac-Tic-Tac...
A contagem é regressiva...
O relógio não para...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Tanta vida eu quero
Tic-Tac-Tic-Tac...
Andar, viajar...e agora...o tempo tá correndo...
Tic-Tac-Tic-Tac...
E eu tô parada, pensando no que fazer...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Mobilizada pelo querer...
Tic-Tac-Tic-Tac...
Não quero perder tempo
O que fazer?
Tic-Tac-Tic-Tac...
E agora: ler, escrever ou fazer?
Tic-Tac-Tic-Tac...
Tic-Tac-Tic-Tac...


O Problema Dos Professores É Seu Também

Por Ana Cláudia Vieira
 Hoje participei da manifestação de apoio aos professores estaduais de Minas Gerais, que há cerca de 80 dias estão em greve, numa luta por melhores condições de trabalho, salários justos e reconhecimento.

Desde o início da greve, as manifestações dos professores no centro da cidade alteram o trânsito, deixando-o ainda mais caótico. Este fato foi o suficiente para que muitas pessoas se posicionassem contrárias ao movimento, algo como: “poxa, acho justo eles terem melhores salários, mas prejudicar a sociedade já é demais. Afinal nós não temos que pagar o pato”. Eu não tenho nem palavras para expressar o quanto fico incomodada e angustiada com tais reações observadas em diferentes locais de convívio. Será possível que os cidadãos não conseguem enxergar que este não é apenas um problema dos professores, mas, sim, o problema da sociedade? E que a sociedade é prejudicada muito mais, e todos os dias, pela corrupção e descaso com as necessidades do povo?

Para começar, a educação é a base de nossa sociedade, ou pelo menos deveria ser. Na escola formamos nossa consciência crítica e adquirimos conhecimento, exploramos nossa inteligência para um dia seguirmos alguma profissão. É um direito de todos. O profissional que carrega a responsabilidade de formar todos os outros profissionais úteis a sociedade deveria ter lugar de honra e ser devidamente remunerado pela tarefa de importância que cumpre arduamente, apesar das penosas condições. Mas, hoje, vemos professores trabalharem três turnos para terem um salário razoável, serem maltratados na escola, por pais e alunos. Vemos o governo investir tão pouco na formação de nossos Mestres. A lógica é: se os professores não possuem formação adequada, salários dignos e se a educação não é prioridade, serão seus filhos, netos, irmãos e primos que terão uma educação de má-qualidade. Que depois, terão de pagar cursinhos caríssimos para recompensar a falta de conteúdo, e sustentarem o sonho de frequentar uma universidade pública.

Por isso, o problema é seu, sim. E essa de que “os professores sabem como é a remuneração, logo não deveriam ter entrado para a profissão” não cola mais. Se o resto da sociedade se contenta em ser roubada e a ter salários de “merda”, não podem culpar aqueles que lutam por melhorias.

Vou além da educação e do direito básico de ser um ser consciente. Vou ser repetitiva, mas acho que ninguém se importa, afinal, não nos cansamos de assistir, repetidas vezes, a escândalos de corruptos na tevê.

O problema dos professores é o mesmo dos doentes que esperam na fila para atendimento médico, às vezes durante meses;
É mesmo dos pacientes que aguardam a autorização para receberem a medicação que precisam;
É o mesmo de todos aqueles que já perderam pessoas queridas por falta de atendimento;
É mesmo de todos aqueles que vivem trancafiadas em casa, vítimas da violência;
É mesmo do crack e de todas as outras drogas;
É mesmo do trânsito caótico e das tarifas de ônibus exorbitantes;
É o mesmo da PM, PC e Corpo de Bombeiros que, vira e mexe, também estão às portas da prefeitura manisfestando insatisfação;
É mesmo dos estudantes que lutam há décadas pelo meio passe;
É mesmo que impede cerca de 14 milhões de pessoas de serem alfabetizadas e faz com que outras 16 milhões estejam na miséria extrema.
É o mesmo dos jornalistas, que há pouco foram nacionalmente envergonhados ao serem tratados como capachos, perdendo direitos que qualquer trabalhador deve ter.
É o mesmo problema que faz o Brasil estar entre os primeiros em corrupção e entre os que mais exploram seu povo.

Só pra pensar, o BH tem 41 vereadores e o Brasil todo, cerca de 8.000. E estou falando dos vereadores, pois na escala da politicagem, são os que menos devem ter benefícios. Mas ainda há os senhores deputados, estaduais e federais, prefeitos, governadores, ministros, secretários etc. Alguém reclama de pagar os altos salários desse grupo menosprezável? Alguém vai pra rua gritar que isso ta errado? Lógico que não, néh...Vai atrapalhar o trânsito...

O problema é mesmo que nos deixa tão indignados e ao mesmo tempo tão passivos. Quem nunca sentiu aquela revolta e, paralelamente, grande impotência, por não saber a quem recorrer, o que fazer. Pois bem, é isso que se faz: luta-se, coloca-se a bota no trombone.

E vêm reclamar que “a manifestação está atrapalhando o trânsito”. Ora essa, tenham dó! Tenham vergonha. Este movimento é de interesse dos pais, dos alunos e de todos os setores dessa sociedade egoísta. É um problema social.

Por isso, eu convido a todos meus amigos a se sentirem livres para tirar a bunda cadeira e irem às ruas, lutar por uma educação de qualidade.  Devemos nos habituar a ter direitos. Até agora só vejo obrigações.

Quantas vezes ouvi meus colegas e amigos, nostálgicos, dizerem que nas décadas de 70 e 80 as pessoas eram mais engajadas, mais críticas...iam ás ruas lutar... Mas, pra mim, as pessoas são as mesmas. Basta tirar a “bunda” quadrada da cadeira. Mas nos venderam essa idéia, de que o melhor já se foi, de que não adianta lutar, não adianta fazer nada, além de votar (doar seu direito de escolha ou dar deu direito à terceiros), trabalhar igual um burro de carga e esperar passivamente que as coisas mudem.

Acorda meu povo. Cada um pode fazer sua parte e hora é sempre “o agora”. Não devemos deixar que esse governo mal intencionado nos coloque uns contra os outros.

Os professores continuam em greve e outras manifestações virão. E eu estarei lá, pois acredito em um mundo melhor e não vou me dar ao luxo de esperar que este mundo simplesmente exista pela vontade de Deus ou pela boa vontade dos políticos. Vou Gritar o meu desejo.

Quem quiser vir comigo, seja bem vindo.

"O PROFESSOR É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE MEXEU COMIGO"

*texto escrito com paixão. Sem edição.

Acúmulo de Funções

Arte de Leopoldo Maia
Um coração deveria, teoricamente, apenas bombear sangue. Levar de uma extremidade do corpo a outra, em um sistema circulatório que confere, naturalmente certa oposição, o sangue venoso e arterial.

Mas, o meu não. Ele prepotentemente quer assumir funções mentais que não lhe cabe e, sente todas as dores, externas até a mim.

Sente quando você passa, mesmo que eu não te veja, quando você não me vê, ou finge que não, quando fala palavras despretensiosas, quando fica feliz e quando fica triste…Sente quando você dá seu fatal “Oi”, se me liga, se não me liga, se me pede para sermos amigos, apenas...E, principalmente, quando diz que, estar perto de mim é uma tentação dolorida, que ainda me ama, apesar de estar divindo com outro o que antes era nosso, mas que, infelizmente, nossos caminhos seguiram por sentidos opostos.