O grande dia chegou. O grande dia é hoje. O ponto final era na verdade o início de reticências, seguidas por uma pequena pausa de renovação. E pra recomeçar, é necessário que eu fale sobre mim. E falar sobre mim significa escrever. E, dessa forma, não tenho mais domínio.
O texto se constrói, quase que por vontade própria. Ele é transformação. Reinvenção. Vida que se cria, se inicia, mas não se controla. Li algo sobre mudanças. Alguma ironia sobre o tempo que levam as mudanças para acontecerem. Tempo de mais para mãos agitadas e corações aflitos por melhores tempos. Era algo que dizia sobre a injustiça de sermos tão impotentes frente às vontades do mundo. Acredito que as mudanças acontecem a todo tempo, a cada instante, mas se você se prende à mudança em si, e não nos movimentos delirantes de todas elas, o fardo pode “ser” demais. As mudanças parecem nunca acontecer.
Sei que eu tinha muita certeza. E quantos momentos pareceram eternos. E no fim, foram só uma poeira. Um fragmento de lembrança. Uma caixinha esquecida no fundo do armário e depois doada aos carentes, juntos com outros objetos já sem valor.
Por isso, definitivamente, não tenho medo que nada aconteça. Mais uma vez, insisto: estou plantando as mudanças que quero. E elas acontecem sempre. E no fim, eu sou só mais uma poeirinha. Mas por séculos incontáveis, o mundo parece girar para que cada poeirinha tenha sua importância. Para que tudo continue dando certo o tempo todo. E não estou exagerando. Basta querer ver: aí está a vida.
Tenho minhas limitações. Mas vou. Um passo de cada vez. Sempre para frente. Às vezes penso que não há
um objetivo específico. Há, sim: fazer o bem. E durante o percurso permanecer ao lado do bem. Sempre fazer o bem. E durante o percurso mudar para melhor, o que for preciso.
Às vezes penso que sei exatamente o que vou escrever, mas de repente as idéias se entrelaçam. Misturam-se. Desfazem-se em danças eternas e perfeitas, como se fossem planejadas. E no fim, o texto foi escrito sem que eu precisasse planejar os mínimos detalhes. Cada partícula se juntou e o texto, simplesmente, acontece, naturalmente, como há de ser, sempre. E no fim de cada texto... não há fim, mas inúmeros outros textos se entrelaçando. Textos que se constroem. Confrontam-se. Reinventam-se. Assim, como há de ser. E que assim seja.
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